segunda-feira, agosto 01, 2005

O Capitalismo e o Cachorro Quente

- Perdoe-me senhor, creio que não entendi sua proposta – disse o vendedor com um olhar de curiosidade. Em dezoito anos de trabalho no varejo, nunca tinha escutado coisa tão absurda.

A sua frente estava um homem baixo, de cabelos raspados e olhos profundos. O formato de sua cabeça lembrava, e muito, uma ferradura de cavalo.

- Eu só perguntei – disse – Quanto custa esse terno em cachorro quente.

- Aí é que está – retrucou o vendedor – O que você quer dizer com ‘em cachorro quente’?

- Cachorro quente. Aquele delicioso sanduíche, com salsicha, molho de...

- Certo – interrompeu o vendedor – Eu o conheço. Só não compreendo qual a relação entre cachorro quente e este terno.

O homem abaixou-se até uma mochila preta e tirou um embrulho em papel alumínio. Com um sorriso imbecil esticou os braços oferecendo-o para o vendedor. Que sem saber o que fazer, permaneceu com o olhar fixo no embrulho, como se encarasse uma cobra venenosa.

- Vamos – disse o homem – pegue!

O vendedor pegou o embrulho com cuidado e o abriu. Era um cachorro quente.

O homem já segurava mais dois embrulhos idênticos ao anterior.

- E então – disse – Com quantos desses eu pago o terno?

- Senhor – disse o vendedor perdendo a calma – Isso aqui é uma loja, não uma casa de escambo! Se o senhor não tiver dinheiro peço que, por favor, se retire.

O sorriso no rosto do homem desapareceu dando lugar a um semblante mais sério. Ele tornou a guardar os sanduíches na mochila e se aproximou do vendedor.

- O capitalismo – falou baixinho – É a chave para todos os males.

- Não seja estúpido – falou o vendedor já completamente irritado – Você só está trocando o dinheiro por cachorro quente, no final das contas é tudo a mesma droga! Depois você vai me dizer que o cachorro quente é a chave para todos os males e vai querer pagar tudo com bananas. Francamente!

O homem abaixou a cabeça, visivelmente constrangido. Ficou em silêncio por alguns segundos. E, por fim, falou.

- Talvez você tenha razão. Acho que estou fazendo tudo errado. Vou para casa refletir sobre isso.

O homem juntou suas coisas e saiu lentamente da loja. O vendedor sentiu um pouco de pena dele.Talvez tivesse sido duro demais com o rapaz.

Ele voltou até sua mesa e percebeu que ainda segurava o cachorro quente. Sentou-se confortavelmente e sem cerimônias começou a come-lo. Depois da terceira mordida ele se lembrou que o homem tinha ido embora vestindo o terno. Ele tinha sido completamente enganado.

O vendedor ajeitou-se na cadeira e deu mais uma mordida no seu sanduíche. Depois de mastigar dez vezes, como sua mãe havia ensinado, deu um suspiro e falou em voz alta.

- Um cachorro quente! O terno saiu barato demais!

5 Comments:

Anonymous Anônimo said...

égua.. passei mal d tanto rir..
só tu..
kero +..
tu me incentiva a ler..
haUAHuahUAHa
=*********
=)

10:20 PM  
Anonymous Anônimo said...

desculpe-me mas eu não gostei! bobo demais!

3:29 PM  
Anonymous Anônimo said...

Pro anonimo ai: Nao e crime algum nao gostar... nao tem porque nao se identificar =)

9:09 PM  
Anonymous Anônimo said...

comigo por exemplo, não haveria problemas...trocaria de imediato o terno pelo cachorro quente! que maravilha de escambo,não?

"cachorro quente é a chave para todos os males..."

;*

4:06 AM  
Anonymous Anônimo said...

posta A globalização e o algodão doce agora, mas não esquece dos meus créditos ;DD já tenho os direitos autorais! eu pensava que tu tinha escrito algo novo, mas eu já disse que eu gosto dessa =DDD
:*****

3:10 PM  

Postar um comentário

<< Home