O Capitalismo e o Cachorro Quente
- Perdoe-me senhor, creio que não entendi sua proposta – disse o vendedor com um olhar de curiosidade. Em dezoito anos de trabalho no varejo, nunca tinha escutado coisa tão absurda.
A sua frente estava um homem baixo, de cabelos raspados e olhos profundos. O formato de sua cabeça lembrava, e muito, uma ferradura de cavalo.
- Eu só perguntei – disse – Quanto custa esse terno em cachorro quente.
- Aí é que está – retrucou o vendedor – O que você quer dizer com ‘em cachorro quente’?
- Cachorro quente. Aquele delicioso sanduíche, com salsicha, molho de...
- Certo – interrompeu o vendedor – Eu o conheço. Só não compreendo qual a relação entre cachorro quente e este terno.
O homem abaixou-se até uma mochila preta e tirou um embrulho em papel alumínio. Com um sorriso imbecil esticou os braços oferecendo-o para o vendedor. Que sem saber o que fazer, permaneceu com o olhar fixo no embrulho, como se encarasse uma cobra venenosa.
- Vamos – disse o homem – pegue!
O vendedor pegou o embrulho com cuidado e o abriu. Era um cachorro quente.
O homem já segurava mais dois embrulhos idênticos ao anterior.
- E então – disse – Com quantos desses eu pago o terno?
- Senhor – disse o vendedor perdendo a calma – Isso aqui é uma loja, não uma casa de escambo! Se o senhor não tiver dinheiro peço que, por favor, se retire.
O sorriso no rosto do homem desapareceu dando lugar a um semblante mais sério. Ele tornou a guardar os sanduíches na mochila e se aproximou do vendedor.
- O capitalismo – falou baixinho – É a chave para todos os males.
- Não seja estúpido – falou o vendedor já completamente irritado – Você só está trocando o dinheiro por cachorro quente, no final das contas é tudo a mesma droga! Depois você vai me dizer que o cachorro quente é a chave para todos os males e vai querer pagar tudo com bananas. Francamente!
O homem abaixou a cabeça, visivelmente constrangido. Ficou em silêncio por alguns segundos. E, por fim, falou.
- Talvez você tenha razão. Acho que estou fazendo tudo errado. Vou para casa refletir sobre isso.
O homem juntou suas coisas e saiu lentamente da loja. O vendedor sentiu um pouco de pena dele.Talvez tivesse sido duro demais com o rapaz.
Ele voltou até sua mesa e percebeu que ainda segurava o cachorro quente. Sentou-se confortavelmente e sem cerimônias começou a come-lo. Depois da terceira mordida ele se lembrou que o homem tinha ido embora vestindo o terno. Ele tinha sido completamente enganado.
O vendedor ajeitou-se na cadeira e deu mais uma mordida no seu sanduíche. Depois de mastigar dez vezes, como sua mãe havia ensinado, deu um suspiro e falou em voz alta.
- Um cachorro quente! O terno saiu barato demais!
A sua frente estava um homem baixo, de cabelos raspados e olhos profundos. O formato de sua cabeça lembrava, e muito, uma ferradura de cavalo.
- Eu só perguntei – disse – Quanto custa esse terno em cachorro quente.
- Aí é que está – retrucou o vendedor – O que você quer dizer com ‘em cachorro quente’?
- Cachorro quente. Aquele delicioso sanduíche, com salsicha, molho de...
- Certo – interrompeu o vendedor – Eu o conheço. Só não compreendo qual a relação entre cachorro quente e este terno.
O homem abaixou-se até uma mochila preta e tirou um embrulho em papel alumínio. Com um sorriso imbecil esticou os braços oferecendo-o para o vendedor. Que sem saber o que fazer, permaneceu com o olhar fixo no embrulho, como se encarasse uma cobra venenosa.
- Vamos – disse o homem – pegue!
O vendedor pegou o embrulho com cuidado e o abriu. Era um cachorro quente.
O homem já segurava mais dois embrulhos idênticos ao anterior.
- E então – disse – Com quantos desses eu pago o terno?
- Senhor – disse o vendedor perdendo a calma – Isso aqui é uma loja, não uma casa de escambo! Se o senhor não tiver dinheiro peço que, por favor, se retire.
O sorriso no rosto do homem desapareceu dando lugar a um semblante mais sério. Ele tornou a guardar os sanduíches na mochila e se aproximou do vendedor.
- O capitalismo – falou baixinho – É a chave para todos os males.
- Não seja estúpido – falou o vendedor já completamente irritado – Você só está trocando o dinheiro por cachorro quente, no final das contas é tudo a mesma droga! Depois você vai me dizer que o cachorro quente é a chave para todos os males e vai querer pagar tudo com bananas. Francamente!
O homem abaixou a cabeça, visivelmente constrangido. Ficou em silêncio por alguns segundos. E, por fim, falou.
- Talvez você tenha razão. Acho que estou fazendo tudo errado. Vou para casa refletir sobre isso.
O homem juntou suas coisas e saiu lentamente da loja. O vendedor sentiu um pouco de pena dele.Talvez tivesse sido duro demais com o rapaz.
Ele voltou até sua mesa e percebeu que ainda segurava o cachorro quente. Sentou-se confortavelmente e sem cerimônias começou a come-lo. Depois da terceira mordida ele se lembrou que o homem tinha ido embora vestindo o terno. Ele tinha sido completamente enganado.
O vendedor ajeitou-se na cadeira e deu mais uma mordida no seu sanduíche. Depois de mastigar dez vezes, como sua mãe havia ensinado, deu um suspiro e falou em voz alta.
- Um cachorro quente! O terno saiu barato demais!

5 Comments:
égua.. passei mal d tanto rir..
só tu..
kero +..
tu me incentiva a ler..
haUAHuahUAHa
=*********
=)
desculpe-me mas eu não gostei! bobo demais!
Pro anonimo ai: Nao e crime algum nao gostar... nao tem porque nao se identificar =)
comigo por exemplo, não haveria problemas...trocaria de imediato o terno pelo cachorro quente! que maravilha de escambo,não?
"cachorro quente é a chave para todos os males..."
;*
posta A globalização e o algodão doce agora, mas não esquece dos meus créditos ;DD já tenho os direitos autorais! eu pensava que tu tinha escrito algo novo, mas eu já disse que eu gosto dessa =DDD
:*****
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