O frio de uma noite sem estrelas
O frio aperta. Hoje a noite está mais fria do que as outras.
Ele abre o porta malas.
Eu o conheço, digo.
Depois de morto ninguém conhece ninguém.
A força me faz suar. Não ajuda com o frio.
Jogamos mais um corpo no rio.
O cansaço foi demais. O homem devia pesar mais de cem quilos.
Acendo um cigarro. Ofereço a ele.
Ele recusa.
Diz que quer parar. Fala muitas outras coisas.
Diz que quer largar aquela vida.
Anda tendo pesadelos com aquele rio. Os mortos voltam nos sonhos. Já não consegue dormir.
Termino o cigarro.
Ele entra no carro. Peço para dirigir.
Ele me dá lição de moral. Os jovens sempre se preocupam com as coisas erradas. Ele diz.
...
Duas semanas depois. Finalmente sou eu quem dirijo o carro.
Paro a poucos metros do rio.
Abro o porta malas do carro.
Eu o conheço, digo.
Depois de morto ninguém conhece ninguém.
Fico calado. Tenho certeza que aquele é um aviso.
Ele queria parar. Tinha pesadelos com o rio.
Agora ele é parte dos pesadelos.
O homem me olha. Olha o cadáver.
Tome cuidado ou o próximo pode ser você.
A voz sai fria. Mais fria que a noite.
Engulo seco. Seguro pela cabeça do cadáver.
Fito seus olhos.
Só vejo o vazio.
Ele queria parar. Queria liberdade.
A morte não é liberdade.
Tenho certeza que aquele é um aviso.
Jogamos mais um corpo no rio.
Acendo um cigarro.
Observo o corpo correndo rio abaixo. É uma pena, era um bom homem.
Termino o cigarro.
Ligo o carro. Lembro do sonho que tive ontem à noite.
Ando tendo pesadelos com aquele rio. Os mortos voltam nos sonhos. Já não consigo dormir.
Com um palavrão engato a primeira. E vou pra bem longe dali.
Ele abre o porta malas.
Eu o conheço, digo.
Depois de morto ninguém conhece ninguém.
A força me faz suar. Não ajuda com o frio.
Jogamos mais um corpo no rio.
O cansaço foi demais. O homem devia pesar mais de cem quilos.
Acendo um cigarro. Ofereço a ele.
Ele recusa.
Diz que quer parar. Fala muitas outras coisas.
Diz que quer largar aquela vida.
Anda tendo pesadelos com aquele rio. Os mortos voltam nos sonhos. Já não consegue dormir.
Termino o cigarro.
Ele entra no carro. Peço para dirigir.
Ele me dá lição de moral. Os jovens sempre se preocupam com as coisas erradas. Ele diz.
...
Duas semanas depois. Finalmente sou eu quem dirijo o carro.
Paro a poucos metros do rio.
Abro o porta malas do carro.
Eu o conheço, digo.
Depois de morto ninguém conhece ninguém.
Fico calado. Tenho certeza que aquele é um aviso.
Ele queria parar. Tinha pesadelos com o rio.
Agora ele é parte dos pesadelos.
O homem me olha. Olha o cadáver.
Tome cuidado ou o próximo pode ser você.
A voz sai fria. Mais fria que a noite.
Engulo seco. Seguro pela cabeça do cadáver.
Fito seus olhos.
Só vejo o vazio.
Ele queria parar. Queria liberdade.
A morte não é liberdade.
Tenho certeza que aquele é um aviso.
Jogamos mais um corpo no rio.
Acendo um cigarro.
Observo o corpo correndo rio abaixo. É uma pena, era um bom homem.
Termino o cigarro.
Ligo o carro. Lembro do sonho que tive ontem à noite.
Ando tendo pesadelos com aquele rio. Os mortos voltam nos sonhos. Já não consigo dormir.
Com um palavrão engato a primeira. E vou pra bem longe dali.

2 Comments:
Até poderia aceitar minhas noites de pesadelo se todas as noites fossem frias. Ou melhor, os pesadelos poderiam ser pela manhã...manhãs frias? Que doce ilusão.
(?)
O meu preferido..:o*
bju
Ju
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