Facultativo
O círculo desenhado no chão era tão redondo que fazia a cabeça dele dar um volta incrivelmente grande. Ele sempre teve aquele defeito. Se é que podemos chamar de defeito. Sempre que uma forma geométrica era desenhada, ele seguia as linhas com o balançar de cabeças.
O problema começou quando ele ainda estava no berço. Seu pai teve a brilhante idéia de decorar o quarto com figuras geométricas. Não que fosse uma decoração feia, era sobretudo cafona. O garotinho de sete meses ficava o dia todo seguindo aquelas linhas. Seus olhos contornavam círculos, quadrados, retângulos e outras formas que não lembro o nome. Era um exercício tremendo para um cerebrozinho que está em recém formação. A energia gasta nessa atividade era tanta que ele acabava se cansando muito rápido. Passava a maior parte do dia dormindo.
Isso gerou uma confusão na família. Confusão esta que envolveu o garotinho em diversos testes científicos. Mas por fim nenhuma conclusão era tomada. Alguns médicos receitaram uma fórmula que daria mais energia à criança.
O resultado foi que os pais passaram noites em claro, cuidando da sujeira da criança. Aí eles decidiram suspenderam o uso da tal fórmula.
E então tudo voltou a ser como antes. Mas o problema já não era tão grave, afinal, ninguém nunca morreu por dormir, não é mesmo? E geralmente é isso que bebês fazem. Dormem.
Ou choram. Ou comem.
Tal episódio não tem nenhuma relação com a história, mas achei que seria muita indelicadeza de minha parte não contá-la. O bebezinho agora tinha quinze anos. Não era mais chamado pelas pessoas de gracinha de bebê, e sim de Elisley. Um nome que sua mãe descobriu em um momento de inspiração. E por mais que ela achasse o nome mais bonito e interessante do mundo, ele odiava.
Elisley tinha algo que chamava de namorada e esta era a pessoa que estava no centro do círculo quinze minutos atrás. Ela era uma garota não tão alta, mas não tão baixa. Tinha a mesma idade de Elisley e era uma gracinha. Tinha um rosto tão bonito que Elisley o admirava como uma besta por horas e horas.
Os dois subiram para uma sala desocupada no colégio. Foi lá que eles se conheceram. Os dois descobriram que durante todo o dia das nove as onze e quinze, aquele lugar ficava vazio e tinham o prazer em gazetar. Isso foi há quatro meses.
Hoje os dois subiram ali, pois Pámela, sim este era o seu nome, disse que tinha algo de incrível para mostrar. Ela desenhou um círculo bem grande no chão. Com uma paixão enorme no olhar ela deu toda uma explicação para Elisley, que não compreendeu nada. Ele tinha o incrível poder de nunca prestar atenção no que ela falava. Apenas algumas palavras ficaram gravadas em seu cérebro: Círculo, festas, alegria, dimensão, macabro e estupendo. Agora pensando melhor ele tinha certeza de que conseguia formar uma frase lógica com essas palavras.
Pámela tinha entrado no circulo com um sorriso. Lentamente Elisley viu o sorriso desaparecer, já que Pámela também desapareceu.
No principio ele tinha ficado ali por um bom tempo. Esperando ela aparecer. Cerca de dez minutos talvez. Mas ela não voltou. Então ele decidiu ir embora. No dia seguinte ela também não apareceu. Nem no outro. No outro. No outro...
Depois de duas semanas Elisley achou que aquela foi a forma que Pámela encontrou para terminar com ele. Era uma forma idiota, mas eficaz. Tanto que ele a repetiu três anos mais tarde quando namorou com Alberta, uma psicopata. Mas o truque não deu tão certo, já que ele quebrou um braço.
Até que saiu barato. Um braço para desaparecer da vida de uma psicopata. De vez em quando ele se pergunta se Pámela também sentiu o mesmo.
O problema começou quando ele ainda estava no berço. Seu pai teve a brilhante idéia de decorar o quarto com figuras geométricas. Não que fosse uma decoração feia, era sobretudo cafona. O garotinho de sete meses ficava o dia todo seguindo aquelas linhas. Seus olhos contornavam círculos, quadrados, retângulos e outras formas que não lembro o nome. Era um exercício tremendo para um cerebrozinho que está em recém formação. A energia gasta nessa atividade era tanta que ele acabava se cansando muito rápido. Passava a maior parte do dia dormindo.
Isso gerou uma confusão na família. Confusão esta que envolveu o garotinho em diversos testes científicos. Mas por fim nenhuma conclusão era tomada. Alguns médicos receitaram uma fórmula que daria mais energia à criança.
O resultado foi que os pais passaram noites em claro, cuidando da sujeira da criança. Aí eles decidiram suspenderam o uso da tal fórmula.
E então tudo voltou a ser como antes. Mas o problema já não era tão grave, afinal, ninguém nunca morreu por dormir, não é mesmo? E geralmente é isso que bebês fazem. Dormem.
Ou choram. Ou comem.
Tal episódio não tem nenhuma relação com a história, mas achei que seria muita indelicadeza de minha parte não contá-la. O bebezinho agora tinha quinze anos. Não era mais chamado pelas pessoas de gracinha de bebê, e sim de Elisley. Um nome que sua mãe descobriu em um momento de inspiração. E por mais que ela achasse o nome mais bonito e interessante do mundo, ele odiava.
Elisley tinha algo que chamava de namorada e esta era a pessoa que estava no centro do círculo quinze minutos atrás. Ela era uma garota não tão alta, mas não tão baixa. Tinha a mesma idade de Elisley e era uma gracinha. Tinha um rosto tão bonito que Elisley o admirava como uma besta por horas e horas.
Os dois subiram para uma sala desocupada no colégio. Foi lá que eles se conheceram. Os dois descobriram que durante todo o dia das nove as onze e quinze, aquele lugar ficava vazio e tinham o prazer em gazetar. Isso foi há quatro meses.
Hoje os dois subiram ali, pois Pámela, sim este era o seu nome, disse que tinha algo de incrível para mostrar. Ela desenhou um círculo bem grande no chão. Com uma paixão enorme no olhar ela deu toda uma explicação para Elisley, que não compreendeu nada. Ele tinha o incrível poder de nunca prestar atenção no que ela falava. Apenas algumas palavras ficaram gravadas em seu cérebro: Círculo, festas, alegria, dimensão, macabro e estupendo. Agora pensando melhor ele tinha certeza de que conseguia formar uma frase lógica com essas palavras.
Pámela tinha entrado no circulo com um sorriso. Lentamente Elisley viu o sorriso desaparecer, já que Pámela também desapareceu.
No principio ele tinha ficado ali por um bom tempo. Esperando ela aparecer. Cerca de dez minutos talvez. Mas ela não voltou. Então ele decidiu ir embora. No dia seguinte ela também não apareceu. Nem no outro. No outro. No outro...
Depois de duas semanas Elisley achou que aquela foi a forma que Pámela encontrou para terminar com ele. Era uma forma idiota, mas eficaz. Tanto que ele a repetiu três anos mais tarde quando namorou com Alberta, uma psicopata. Mas o truque não deu tão certo, já que ele quebrou um braço.
Até que saiu barato. Um braço para desaparecer da vida de uma psicopata. De vez em quando ele se pergunta se Pámela também sentiu o mesmo.

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